Como a Gigi sofreu um acidente grave em uma cama elástica * Mãe de Adolescente

Como a Gigi sofreu um acidente grave em uma cama elástica

EU VOU!

Aos 11 anos, Gigi sofreu um acidente em uma cama elástica, lesionando gravemente a região epifisária do tornozelo

O que é região epifisária?

A região epifisária só existe até a formação óssea, pois é uma parte cartilaginosa por onde os membros crescem.

No caso da Gi, houve a ruptura completa, separando totalmente a epífese do osso, o que é considerada lesão de grau grave, nestes casos.

Este tipo de acidente pode causar sequelas, mesmo com o tratamento correto, pois depende de como o corpo do adolescente vai reagir.

A notícia

17 de Maio de 2014, sábado. Aniversário de 3 anos da minha sobrinha. Gigi foi com o meu pai e eu ia em seguida, de moto.

Para a festa, foi contratada uma empresa especializada, com brinquedos como pula-pula e cama-elástica.

Quando eu já estava no portão, meu telefone tocou. Era meu pai dizendo para eu ficar calma e seguir até a Santa Casa.

Óbvio que a última coisa que eu fiz foi ficar calma. Fui correndo, sem pensar em nada.

Como aconteceu

A monitora da cama-elástica tinha 12 anos, amiga de escola da Gigi. Como a Gi chegou cedo, só estavam elas, então então a Gi a convidou para brincar junto

Foi quando, durante o salto da Gigi, a menina entrou na cama elástica, fazendo um “buraco” e foi quando a Gigi caiu com o peso do corpo todo por cima do tornozelo.

Algo que nunca pensei que seria possível acontecer, era alguém sofrer um acidente grave em uma cama elástica.

Mas aconteceu e logo com a minha filha.

A saga e as más notícias

Como a Gigi foi levada para a Santa Casa de Suzano e foi encaminhada para internação para aguardar cirurgia, ela não podia sair de lá sem ter internação garantida em outro hospital.

De pronto, fomos consultar outras opções. Algumas, de pessoas que indicaram no twitter, outras de amigos, parentes.

A frase que o médico repetia, era: “Mãe, vai ter sequelas”.

Um carinho sem tamanho a enfermeira de joelhos pra botar acesso na Gigi pra ela operar.

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Para começar, fomos informados das enormes chances de sequelas desta lesão. Segundo, que ela é rara. A cada 5 mil casos por ano de um hospital da região, apenas 3 casos tem a mesma natureza que o dela.

Com isso, as chances de algum cirurgião ortopedista assumir o caso, era cada vez menor.

Depois, que ela estava nas mãos do melhor cirurgião ortopédico da região, isso no atendimento público. Nosso único problema, era: – o caso dela é raro, complexo, delicado, mas não se tratava de uma urgência/emergência. Então, ela ficaria à espera de uma vaga para operar.

O dia começa cedo no hospital. Um pão de queijo e medicação no café da manhã. Bom dia!

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Eu surtei. Como mãe, na hora, não fui capaz de raciocinar como deveria e achei que estava errado. Fiquei louca atrás de um médico, ainda que particular, que a operasse prontamente. Mas não havia jeito de achar nenhum. E eu não podia simplesmente tira-la do hospital, onde ela estava muito bem cuidada e assistida, apesar de ter que esperar a demanda que se faz necessária.

E assim foi…

Enquanto isso, Gigi e eu fomos muitíssimo bem tratadas. Não apenas no lado humano da coisa, que foi espetacular, mas também no lado profissional. As enfermeiras foram sensacionais! O médico foi muito transparente desde o primeiro instante.

Não basta ser mãe. Tem que inventar moda pra distrair a filha internada hahaha

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O comercial do Itaú

Até gravamos um vídeo com uma música da Copa que acabou virando comercial do Itau. Quem lembra?

Até a Gigi com o pé quebrado vai curtir essa Copa. Mande seu vídeo também! #IssoMudaOJogo”

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A cirurgia

Eu, que sou de Suzano, conheço a Santa Casa desde sempre e tinha a pior impressão de lá, por conta de antigamente, onde todos eram tratados como “sabe-se-lá-o-quê” e hoje, mal parece um hospital público.

Depois, fomos transferidas para a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes, porque lá possui centro cirúrgico. E também tivemos um atendimento que não deixa nada a desejar para hospitais particulares.

Mas eu ainda estava cercada de medos, receios e, agora, remorsos, pelo mau juízo que fiz em primeiro momento. Mas passado o momento do susto, me refiz da lucidez e vi que se tivesse que esperar, ok. Esperaria. Seria difícil, ruim, mas ainda seria melhor do que sair de lá sem ter para onde ir. No entanto, as coisas acabaram conspirando em favor. Gigi deu entrada na quarta-feira, fez os exames todos na quinta e na sexta a tarde, entrou no centro cirúrgico.

E aquela uma hora e meia de espera durante a cirurgia foram agonizantes. Ao vê-la sair de lá, ainda sob efeito da anestesia geral, cheia de frio, sem conseguir abrir os olhos, mas bem… Foi um misto de alegria e ainda muito medo.

Até que ela finalmente abriu os olhos. E a primeira coisa que ela disse, sorrindo, foi:

– “Muito obrigada, enfermeira.” – ela mostrou que, mesmo diante da aflição da cirurgia, da dor que sentia, do medo, tudo, ela ainda era a mesma menina doce e grata que criei… E continuou: – “Mãe, eles me levaram pra uma sala tão bonita… Todos de branco, tudo brilhando…” – e a enfermeira: – “Então não foi aqui, isso, não. Porque aqui todos usamos verdes e ninguém brilha”…rs

Gigi acabou de sair da cirurgia s2

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O pós operatório

Mas, aquele foi um dia difícil… Ela sentiu mal-estar, vomitou, sentiu muita dor, foi horrível ver minha menina lá sofrendo e não poder fazer nada para evitar.

No dia seguinte, ela acordou melhor. Porém, com uma leve infecção na urina, por isso, os médicos tiveram a cautela de mante-la lá mais um dia para cuidar disso e me entregar a filha no melhor estado possível, diante de tudo.

Ela ainda tinha grandes chances de sequelas. Podia ser que a perna lesionada crescesse mais ou menos que a outra. Mas o médico que a operou fez o melhor possível diante do quadro dela. E agora foi aqui que começou de verdade a parte difícil da coisa toda.

Sim! Foi a partir deste momento que comecei a ser testada como pessoa, como mãe, como ponto de equilíbrio e de apoio para ela.

Era primordial que ela entendesse os riscos que ela corria e como poderíamos diminuí-los fazendo a fisioterapia e cuidando de tudo o melhor possível e se permitindo ser cuidada, mesmo com a dor e o medo.

Gigi sabia de como poderia vir a ser árduo seu tratamento, porque se tivesse sequelas, serião inúmeras cirurgias durante toda sua pré-adolescência e adolescência. Mas também havia a chance de que não acontecessem as sequelas. Fomos realistas. E a postos para encarar as coisas conforme vieram.

Os dez primeiros dias, foram os dez dias mais difíceis da minha vida. Nunca senti tanto medo. Nem mesmo quando vi meu marido ser assassinado para me salvar. Nunca me senti tão perdida, mas também foi onde ganhei amigos que me deram o que eu mais precisava: esperança! Não só com palavras. Eles me mostraram que ainda há como confiar nas pessoas, na sua humanidade.

A volta para casa

Gigi voltou para casa e novos desafios foram surgindo: curativos, atividades de rotina sem poder apoiar o pé, sete meses de cadeira de rodas.

Gigi e a cadeira de rodas rosa s2

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Foi um dia de cada vez… Um passo de cada vez… Sabendo agora que eu tinha ainda mais responsabilidades do que jamais tive antes. Mas também sabendo que tenho amigos eficazes, prontos a ajudar. Sem contar a família, que é praticamente um extensão de nós…

Eu dormia e acordava com medo. Mas, ao mesmo tempo, com a alegria de ter a filha mais grata e alegre do mundo. A que sorri mesmo diante de tudo isso e que estava tão feliz quanto antes, mas de uma maneira diferente.

Foram dias cansativos, difíceis, mas como foi quando Luciano morreu, me reforçaram que na hora necessária, tiramos forças de onde nem sabíamos que tínhamos.

Tínhamos dias bons e dias ótimos! Gigi até dançava com um pé só!

A @gigiliviero dançando com um pé só (já que não pode apoiar o outro no chão) igual a uma maluca hahahaha

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Depois de meses de cadeira de rodas, a volta a andar.

Cinco meses se passaram e Gigi finalmente voltou a andar. Foi mágico. Foi incrível. Mas o medo ainda persistia, pois ainda haviam chances das tais sequelas.

E nunca perdemos o sorriso, apesar das dores, medos e dificuldades…

Melhores amigas #bff #bestfriends #love #family

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Olha lá a menina que ficou cinco meses na cadeira de rodas:

Minha filhota @gigiliviero ❤ ❤ ❤ (foto by @thaysinhabr)

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A vida voltando ao normal

Depois disso, nos mudamos de cidade, Gigi mudou de escola e a vida foi ganhando ares de rotina novamente.

No entanto, ainda pairava o medo das sequelas que, aos poucos, iam se esvaindo.

Para não dizer que Gigi ficou 100%, ela tem um pequeno desvio que inspira cuidados, afinal, ela ainda está em fase de crescimento e este é o grande perigo, mas em vista de todo o meu medo, ela está melhor do que antes.

Antes, ela não praticava esportes, hoje ela joga futebol, faz parte do time da escola e tudo, mas isso eu vou contar em uma outra postagem… Logo…

A lição de tudo isso…

A lição que fica é: por mais complicadas que sejam as coisas, a gente tem que pensar em perseverar. Ser realistas, mas fazer o máximo possível para que as coisas saiam o melhor que possam. No mais, é saber lidar com as adversidades e com as condições que nos são impostas por situações da vida.

Porque ficar só lamentando não apenas não ajuda em nada, como também pode acabar por atrapalhar.

<3

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Mãe da Gigi, uma adolescente divertida e criativa, mas que de vez em quando faz cara feia sem motivo. Criadora do LogicaFeminina.com.br, colunista no EntreTodasAsCoisas.com.br e no Superela.com, também cuido de algumas contas de clientes por aí.