Educação sem palmadas funciona? [parte #1] * Mãe de Adolescente

Educação sem palmadas funciona? [parte #1]

EU VOU!

Mas, afinal, educação sem palmadas funciona?

Durante a minha solteirice, decidi que ia comprovar se a tal educação sem palmadas funciona mesmo.

E hoje, estamos aqui, quase 14 anos depois: tá funcionando, sim!

Logo cedo, li em um grupo de mãe de adolescente um post de uma mãe se vangloriando por ter batido na filha adolescente quando ela a respondeu mal.

Isto, por si só, já me deixou absurdada.

Mas o que me deixou ainda pior, foram os mais de 200 comentários reforçando o que ela fez e, pior, dizendo que foi pouco.

A violência normatizada nas relações parentais

Infelizmente, as pessoas realmente acham normal que pais batam nos filhos desde pequenos.

Na verdade, anormal – e você vai poder presenciar isto pelos comentários deste post – é criar filhos sem apelar para a violência.

“Nossa, está mimando esta criança”.

“Devia dar uns tapas pra ela saber quem manda”.

E assim por diante.

Se alguém vê a mãe ou o pai batendo no filho, acha normal e até correto.

Eu fico perplexa.

Minha filha nunca apanhou, mas sabe de quem é o poder de decisão

Não sei como algum adulto em sã consciência possa achar que tudo bem ele empregar violência e força contra um ser frágil, física e emocionalmente.

Na minha cabeça, é como assumir que sou incapaz de fazer o meu papel básico como líder.

Pensando nisto, sempre pensei em maneiras de fazer com a minha filha entendesse desde sempre a nossa relação.

Apesar de respeita-la como indivíduo, ela sempre entendeu o exato papel de cada uma.

Isto significa que não precisei bater nela para que ela me respeitasse e entendesse que apesar da voz dela ter valor, a decisão final sempre seria minha.

“Ah, mas você só diz que não precisa bater porque a sua filha sempre foi obediente”

Primeiro, que eu odeio o termo “obediente”. Minha filha não é do tipo obediente, não senhor.

Ela é do tipo que foi, desde sempre, ensinada a pensar nas opções e ponderar.

Desde pequena, estimulei-a a entender o melhor jeito de escolher e, claro, ser inteligente e estratégica.

Ah! O que inclui saber ser diplomática e sensata.

Sendo assim, ela não é obediente. Ela é bem educada, o que é um mérito e um ponto mais para a minha educação sem bater.

Ao contrário do que parece, este argumento só reforça mais ainda que não precisa mesmo.

Tanto que ela é o que as pessoas chamam de “obediente” e que eu chamo de capaz de fazer escolhas estratégicas.

“Mas e se a sua filha um dia fizer algo que precise bater?”

Olha, a menos que ela esteja em vias de matar alguém, e aí eu vou empregar a tal força física meramente para contê-la durante o processo e não como meio de descontar minha frustração com a incompetência de educa-la, eu não vou precisar bater nunca.

Caso algum dia ela venha a tentar me bater, na boa, a última coisa que farei é agir como ela e me colocar no lugar da adolescente que não mede minhas atitudes.

Aliás, os adultos – e portanto, os ques agem de forma ponderada – são os pais e não os filhos.

Então é mais aceitável que filhos ajam tresloucadamente do que pais.

Sendo assim, se ela vir me bater um dia, eu vou conte-la com a força necessária e, claro, tomar as providências cabíveis para resolver, mas sem agir feito louca ou pior que ela.

“Ah, mas na hora, o sangue ferve e sempre acabo batendo”

Então meu conselho é: procure um psicólogo.

Trate deste seu descontrole e desta normatização da violência contra seus filhos e passe a ser uma pessoa, um pai ou mãe melhor para eles e para si mesmo.

Busque entender melhor o que tanto te descontrola e trate de si.

Vai te fazer bem não apenas nisto, mas na vida como um todo.

“Então, se não pode bater, como faço para educar?”

Aqui, eu aplico condutas educativas.

Vejam bem: eu disse “condutas educativas” que podem ser o que chamamos de “castigo”, mas não no sentido de tortura.

Não adianta nada não bater e comer todos os tipos de atrocidades psicológicas, sociais, mentais, etc.

Tem que ser condutas que simulem os possíveis resultados de suas ações se fossem em uma situação semelhante fora de casa, “na vida real”.

Por exemplo, se a Gi perdesse o celular por descuido quando adulta e estivesse desempregada, ficaria sem celular até conseguir meios para ter outro, certo?

Pensando nisto, caso ela perdesse o celular, eu aplicaria nela uma conduta educativa – ou castigo – que simulasse o prejuízo causado pelo descuido.

“Como fazer isto?”

Deixando-a por um tempo sem celular, por exemplo, e explicando porque ela vai ficar durante este período sem.

Talvez eu também desse a ela tarefas que ela pudesse exercer como se fossem o trabalho durante o período justo para “pagar” o celular, a fim de que ela entendesse também o valor da hora dedicada ao trabalho.

A ideia não é castigar. É trazer para eles a experiência das consequências e, claro, mostrar para eles como devem lidar com o sentimento de frustração, assim não vão lidar batendo nos filhos futuramente rsrs

É muito importante manter a linha de diálogo e mostrar-se controlado e sereno na situação.

Mostrar que decidiu baseado em ponderação e não em raiva, ódio e etc que é o que nos faz agir como loucas gritando, por exemplo.

Um plus pra te ajudar a refletir…

Se você tivesse que deixar seus filhos por 3 anos sendo educados por alguém porque você e o pai ficaram internados, não ia querer que batessem neles, certo?

Certo!

A pessoa, que estaria cuidando dos seus filhos por um favor, teria que se virar para educa-los e mante-los na linha sem tocar neles.

Afinal, quase nenhuma mãe nem pai iriam aceitar terceiros batendo nos filhos, nem para educa-los.

Pensando nisto, porque é aceitável que os pais batam, ao invés de se esforçarem de verdade para cuidarem deles sem aplicar a violência?

Pois eu lhes digo: ser capaz de educar sem bater é algo esfuziante e que vale MUITO a pena.

Então eu recomendo demais.

E aqui, deixo um tweet da Deia, que hoje mora na Austrália, mas já foi professora do Ensino Médio no BR:

CORAGEM!

Aqui, um artigo no Gazeta do Povo para reforçar >> “Bater no filho não educa, só causa medo e gera culpa nos pais

E em breve, trago a parte 2 deste post, com a opinião e dicas dos especialistas.

Comments

comments

About Author

Mãe da Gigi, uma adolescente divertida e criativa, mas que de vez em quando faz cara feia sem motivo. Criadora do LogicaFeminina.com.br, colunista no EntreTodasAsCoisas.com.br e no Superela.com, também cuido de algumas contas de clientes por aí.

Comments are closed.