Minha filha não me conta nada * Mãe de Adolescente

Minha filha não me conta nada

0

É incrível a quantidade de mães que sofre com o dilema “Minha filha não me conta nada”.

Eu mesma, demorei para aceitar que a minha filha não me conta nada, por mais que ela me conte muita coisa.

A minha geração de mães é filha, geralmente, de mães um pouco mais libertárias que as nossas avós, mas ainda assim, cheias de tabus.

Muitas das mães das amigas da Gi me confessam, por exemplo, que se sentem no direito de controlar a vida social e sexual das filhas.

Outro tanto delas, se sente também no direito de invadir a privacidade, dando os cuidados como desculpa.

Eu já falei aqui sobre o que penso em relação à invasão de privacidade, salvo em casos de risco de algo grave estar acontecendo, óbvio.

Lembra quando você era a filha adolescente?

Mais uma vez, eu apelo para que você volte aos seus tempos de adolescente.

Se você tinha uma mãe severa demais e você hoje é uma mãe bem mais libertária, talvez seja mesmo complicado entender.

Por outro lado, para quem tinha uma mãe já mais tranquila, mas lembra do constrangimento de contar certas coisas mesmo assim, fique mais fácil.

Eu mesma, sou uma mãe incrivelmente “liberal” e sei que, mesmo assim, a Gi não deve me contar tudo.

Na verdade, ela deve me contar “tudo”, mas não em todos os detalhes, presumo eu.

E agora, como você é como mãe?

Um outro fator a se pensar, é: como somos enquanto mães?

Será que não acabamos inibindo ou mesmo constrangendo nossas filhas a nos contarem algo?

Será que, pela forma como reagimos em outras vezes, elas acabaram se retraindo?

Cabe a nós pensarmos bem em como reagimos quando elas tentam se abrir, claro!

Deixe-a dizer porque ela não tem coragem de te contar as coisas

Uma coisa que nos ajudou muito por aqui, foi nos abrirmos.

Eu a permiti falar de forma clara os motivos que a faziam sentir-se constrangida comigo.

E, claro, me comprometi e me esforcei para mudar tais atitudes.

E deu certo!

Hoje, a gente até tira sarro, porque ela me conta as coisas na mesma hora que acontecem.

Por exemplo, se ela beija um garoto, a primeira coisa que ela faz depois, é me contar por whatsapp.

Tente julgar menos

As escolhas das nossas filhas não dependem de nós.

Por mais que queiramos crer que sim, por mais que tentamos fazer que sim, não dependem.

Se elas resolvem fazer algo, elas vão fazer, com ou sem o nosso consentimento.

Pensando nisto, é bom revermos nossos julgamentos e tentarmos nos colocar de forma amigável.

Só assim teremos algum poder de influência sobre elas.

Caso contrário, seremos a voz que elas ouvem atravessado, dizem amém na nossa frente e, por trás, fazem o que bem entendem.

Empoderar é confiar

Não tem jeito de dar autonomia sem propriamente dar autonomia.

Assim sendo, a gente tem que achar um modo de confiar nelas e na educação que demos a ela.

Contudo, também achar um jeito de interagir com elas, sempre que cometem erros, sem que sejamos as algozes.

É uma situação delicada, difícil e dolorosa, mas que talvez seja o único meio de ter algum contato real com elas nesta fase que todas nós também passamos e sabemos que é complicada.

Comments

comments

About Author

Mãe da Gigi, trabalho com marketing, amo tecnologia e simpatizo muito com o lado nerd da cultura pop. Hard user de redes sociais, adoro escrever. Criadora do LogicaFeminina.com.br, colunista no EntreTodasAsCoisas.com.br e no Superela.com, também cuido de algumas contas de clientes por aí.

Comments are closed.