Primeiro namoro da filha: como lidar * Mãe de Adolescente

Primeiro namoro da filha: como lidar

EU VOU!

Bom, eu sou mãe de uma menina de 13 anos e até agora ela não está namorando – que eu saiba, devo ressaltar -, mas já me preparo para esse momento que só de pensar me dá desespero: Primeiro namoro da filha.

Meus medos são:
  • medo da filha sofrer
  • medo de ela não escolher uma pessoa adequada (aos olhos dos pais)
  • medo da família torrar o saco “Porque é muito cedo”
  • medo dela engravidar
  • medo dela pegar DST
  • medo dela fugir escondida (Vai saber? A gente sempre lê casos assim)
  • medo do cara ser um ET
  • medo dela amar mais o cara que nós

Gente… É tanta coisa duma vez só que fica difícil ser uma mãe descolada e, ao mesmo tempo, segura. Mas como dizia meu pai: “Uma hora a gente tem que confiar na educação que demos aos nossos filhos” e, mesmo assim, sabendo que seja lá o que acontecer, a culpa sempre recairá sobre nós.

Como sou apenas uma mãe a beira de um ataque de nervos só de pensar nisso, vou dar a palavra a alguém que manja do assunto.

A psicóloga clínica Daniela Knapp Vargas nos deu uma luz para esse túnel logo, frio e íngreme que é ser mãe de adolescente com o primeiro namoro:

A primeira coisa que os pais precisam entender é que os adolescentes não encaram o namoro da mesma forma como os adultos. Em geral, verifica-se que os pais tem uma tendência natural de não valorizar a relevância e o significado do namoro na adolescência. A maioria dos pais percebe o relacionamento como superficial e passageiro, mas para o adolescente o relacionamento é muito sério.

Por esse motivo, é necessário que os pais exerçam empatia com seu filho adolescente para entender e compreender que tudo o que acontece no namoro, por mais que aos olhos dos pais seja uma bobagem, para o adolescente será visto como algo muito sério.

Conflitos e términos, por exemplo, na visão do filho adolescente, podem ser muito graves.

Dicas da Dra. Daniela Knapp Vargas

Converse diariamente

Os pais precisam manter um diálogo positivo com os filhos e se interessar pelos assuntos dos filhos. Essa atitude de cumplicidade facilitará a exposição de algum problema que os pais identifiquem no namoro, como também do adolescente caso venha acontecer algum problema.

Mantenha o diálogo aberto

Embora os adolescentes possam desafiar a autoridade dos pais com alguma regularidade e não passem mais tanto tempo com a família, o adolescente ainda vai recorrer aos pais na procura de valores. É importante que o adolescente tenha sentimentos positivos ao compartilhar algo com seus pais e que ele tenha liberdade para falar sobre temas importantes de vida.

Seja exemplo

Os pais são exemplos para os filhos e o adolescente provavelmente vai repetir no namoro atitudes aprendidas com os próprios pais a partir da observação do comportamento do relacionamento deles.

Construa uma base segura

Em consequência dessa necessidade o adolescente passa progressivamente a passar menos tempo com a família e mais tempo com os amigos, namorado/a e na escola. Mas é importante os pais saberem que mesmo que o adolescente tenha essa tendência, ele ainda continua a recorrer a eles na procura de valores e de uma base segura a partir da qual possam se desenvolver.

Mantenha uma relação de respeito

É essencial que os pais mantenham uma relação com os filhos baseada no afeto, proximidade e aceitação e ao mesmo tempo promovam a autonomia e independência. Ao transmitir essas características, os pais ajudam o adolescente a manter relações amorosas mais saudáveis.

Faça acordos

Lembra que para o adolescente o namoro é algo importante? O problema é que muitas vezes ele pode deixar de ir bem no colégio por só pensar na namorada. A melhor solução aqui é fazer ele entender a importância dos estudos e estabelecer trocas, por exemplo: quando tiver provas ele precisa prometer que vai estudar no dia anterior.

Esteja por perto

Observe e conheça o namorado do seu filho. É uma boa influência? Se não for é hora de orientar e alertar o adolescente. Outra observação importante é perceber se a relação é sadia ou se está tomando rumos que possam prejudicar o filho. Mas lembre-se que preservar o espaço deles também é importante. Uma dica é convidar o namorado/a para vir na sua casa. Assim você consegue observar melhor a relação.

Acalme-se

Não se culpe por não saber muito bem como agir nas situações. Toda a mudança e novidade exige um tempo de adaptação. O importante é encarar essa nova fase como algo natural.

Mantenha os limites

Não mude as regras em relação a horários, estudos e afazeres em casa só porque o adolescente começou a namorar. O namoro deve acontecer sem modificações nas responsabilidades que o adolescente já tinha.

Evite proibições

Se os pais proibirem, o adolescente provavelmente fará escondido. Direcionar e manter a tranquilidade é a melhor forma para passar por esse momento.

Veja o namoro como algo positivo

Muitos pais só conseguem perceber o lado negativo do namoro, mas o namoro pode proporcionar vários aprendizados para o adolescente como habilidades de negociação e empatia, por exemplo. Além disso, o namoro pode potencializar o seu sentido de identidade, desenvolver competências sociais e habilidades emocionais. Os inícios e términos também podem promover o desenvolvimento de resiliência , ajudando o adolescente no seu desenvolvimento emocional.

Com essas dicas da Dra Daniela Knapp Vargas estou bem mais segura na hora de encarar o primeiro namoro da Gigi. Claro que será uma fase nova e eu sei que haverão muitos desafios, mas é algo que todas temos que passar em algum momento, então que seja – não agora, por favor – quando tiver que ser.

Quanto ao “ainda é cedo”, uma coisa que aprendi revisando minhas próprias vivências adolescentes – sim, eu faço isso sempre para tentar entender o lado da Gigi, aprendi que a hora certa é a hora que as coisas acontecem, porque é ali, naquela hora que tenho que começar a lidar. E lidar como adulta, não como louca desvairada, que não aceita o que está acontecendo e que acontecerá, comigo perto ou não. Então, melhor que seja comigo sempre podendo estar ali, sendo mãe e companheira.

E se querem uma dica minha, é: quanto mais criamos barreiras para dificultar o andar dos filhos, mais eles andam longe, mas não param de andar. E às vezes, até andam mais rápido só para fugir de nós – vide meninas que engravidam e casam só para saírem da casa dos pais, por exemplo.

Então, por hoje é só, mas esse assunto não está encerrado. Na verdade, essa é só a primeira de muitas pautas sobre esse e tantos assuntos envolvendo filhos adolescentes.

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Mãe da Gigi, uma adolescente divertida e criativa, mas que de vez em quando faz cara feia sem motivo. Criadora do LogicaFeminina.com.br, colunista no EntreTodasAsCoisas.com.br e no Superela.com, também cuido de algumas contas de clientes por aí.

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