Cuidado: golpe do primeiro emprego para vender cursos ruins

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O sonho do primeiro emprego ainda na adolescência é usado como isca para envolver pais e adolescentes no golpe do primeiro emprego para vender cursos ruins.

Desde que completou 16 anos, Gigi tem recebido insistentes ligações de oferta para uma vaga de primeiro emprego ao qual ela teria sido aprovada.

Apesar de ela já estar trabalhando atualmente (em outro post vou falar sobre esse trabalho, com dicas de currículo etc), não é um emprego ideal.

Assim, a cada oferta que vem intitulada primeiro emprego, estamos sempre de olho e nos enchemos de esperança de que finalmente surja algo de verdade.

No entanto, algumas empresas de cursos – geralmente cursos de péssima qualidade – se aproveitam do sonho de muitos pais de finalmente conquistarem o primeiro emprego para os seus filhos.

Eles vão usar e abusar do nosso emocional e do sonho do primeiro emprego para os nossos filhos, então fique atenta aos detalhes!

Os contatos insistentes e ameaçadores

O primeiro passo do modus operandi deles é fazer contatos de forma insistente e sempre dizendo que é a última chance para seu filho conseguir a vaga de primeiro emprego.

Eles costumam passar uma senha, que se você observar bem, vai ver que é a mesma para todo jovem com quem eles fazem contato e é mera desculpa.

O script mais comum é o seguinte:

– Por favor, é a mãe da jovem Giovanna?

– Sim. Senhora, aqui é da central do primeiro emprego e a Giovanna foi selecionada para uma vaga. Qual é o seu nome?

– Thatiana.

– Então, sra Thatiana, como falei, a Giovanna foi selecionada para uma vaga de primeiro emprego para trabalhar próximo de casa ganhando um salário mais benefícios, mas para garantir a vaga tem que vir amanhã às 10h00 e a sra tem que vir junto com ela. A sra consegue vir esse horário?

– Sim. Me passe o endereço, por favor.

– Sra, anote o endereço e a senha que vai precisar dizer na hora que chegar aqui, para identificarmos a vaga de primeiro emprego.

Antes, eram as bolsas de estudos falsas

Desde os 12 anos da Gi já estive em inúmeras escolas de cursos duvidosos onde ela, supostamente, tinha sido selecionada para uma bolsa de estudos, mas jamais achei que a audácia dessa gente chegaria ao que chegou esses que oferecem falsas vagas de primeiro emprego.

Nessa fase, ela realmente achava que era ofertas verdadeiras e, por mais que o Dressler e eu falássemos para ela que era golpe, ela sempre acabava ficando chateada conosco a cada recusa.

Chegou ao ponto de, em uma das vezes, o gerente gritar comigo que eu não estava preocupada com o futuro dela, por isso estava recusando a oferta do curso, que era caríssimo, por sinal.

Eu, mesmo diante de tanta pressão, sempre explicava para ela como aquilo era absurdo, mostrava reclamações na internet, falava de como não tinha cabimento se atrelar a um contrato de 2 anos de um curso ruim na idade dela, que ela logo iria enjoar e mesmo assim eu ia ter que continuar pagando etc.

Foram tempos muito difíceis, porque adolescentes são muito vulneráveis e acabam mesmo acreditando que nós estamos errados, quando percebemos a fraude.

Mas, depois de tantas vezes, finalmente ela mesma percebeu e aprendeu a identificar essas investidas.

A oferta “irrecusável” de primeiro emprego

Após a fase da bolsa de estudos falsa, começaram as ofertas de primeiro emprego e, óbvio, nós estávamos suscetíveis.

Até porque eu não achava que alguém jogaria tão baixo, mas jogam.

Bom, assim que paramos o carro, a Gi viu que o endereço se tratava de uma escola de cursos ruins e já disse:

– Ih, mãe, é golpe!

Bom, mas já estávamos lá, então pagamos para ver. E era!

Chegamos 20 minutos adiantadas e demos o nome e a tal senha.

Fomos rapidamente chamadas numa salinha e a vendedora pegou uma folha em branco, escreveu o primeiro nome dela, o meu, a idade e a série dela.

Nesse papel, ela escrevia enquanto falava do primeiro emprego e começou logo com o valor do salário que, diz ela, seria de R$ R$ 1.240,00 + benefícios para trabalhar por 6 horas por dia durante 4 dias na semana e, no quinto dia, ela faria um treinamento lá na escola deles.

Parecia uma oferta incrível, não? Pois é agora que vem o pulo da lebre.

Para que ela tivesse direito à vaga, primeiro teria que fazer de 4 a 5 meses do curso para estar apta e, nesse período.

E, nesse período, o pagamento é feito por quem? Pelos pais! R$ 120,00/mês.

Depois do período de 4 a 5 meses, o valor passará a ser descontado do salário dela, já que finalmente ela estará apta a começar.

Bom, a essa altura eu já estava mais do que alerta para o golpe, mas quis botar lenha na fogueira só pra ver até onde chegaria.

Para começo de conversa, a cada pergunta, a moça ficava extremamente transtornada, alterando a voz, demonstrando claramente sua irritação.

Quando a questionei sobre o tal primeiro emprego ser GARANTIDO que após o período de treinamento ela seria contratada, ela afirmou várias vezes que sim.

Nesse momento, a moça já estava P da vida de tantas perguntas, mas ainda parecia ter esperanças de enganar a trouxa aqui.

Foi aí que joguei pra ela que a Gi já trabalhava e que teria que largar o emprego atual para conseguir fazer parte do projeto dela.

Ela nem titubeou em reforçar. Não deu um pingo de remorso dela nem por 1 segundo, imaginar que alguém estaria largando um emprego certo por um que nem existe.

E foi aí também que fiquei mais firme e forte na minha missão de ver até onde ela seria capaz por uma mísera comissão.

Mas eu resolvi resistir firme e forte, pois queria mesmo ver até onde ia isso de golpe do primeiro emprego.

Foi aí que pedi O CONTRATO.

O contrato

Bom, ela saiu batendo o pé e visivelmente irritada para buscar o contrato.

Demorou uns 5 minutos e, claro, enquanto isso ficamos cochichando que esse golpe era o pior de todos.

Quando ela voltou e trouxe, eu tive o cuidado de ler linha por linha, onde ela me interrompia a cada segundo, na tentativa de me fazer ter uma percepção diferente da picaretagem.

O contrato nada mais era do que um contrato desses de curso picareta, onde eu assumiria 24 parcelas de R$ 120,00 em meu nome.

Zero palavras sobre primeiro emprego, sobre as parcelas que supostamente seriam diretamente descontadas do salário etc.

Numa folha separada, um texto bem mal redigido dizendo que a escola tem convênio com empresas (não cita uma delas que seja) e que usará sua influência para intermediar uma POSSÍVEL vaga de primeiro emprego.

Quando questionei essa tal garantia de primeiro emprego, ela pegou esse termo e disse: “Está aqui”, na esperança de que eu fosse tola o suficiente para acreditar.

Mas a verdade é que, obviamente, não há garantia alguma de primeiro emprego e tudo não passa de um golpe para vender cursos muito ruins dos quais os adolescentes não aprendem nada, além do que podem aprender numa tarde sentados diante do Office.

É uma pena que eu não tenha conseguido tirar fotos, apesar de ter tentado.

A insistência, mesmo depois da negativa

Depois de tudo o que narrei, acreditem: eles tentaram contato novamente.

Sim! Ligaram para o nosso telefone fixo perguntando se tínhamos ido o que eles chamam descaradamente de ENTREVISTA DE PRIMEIRO EMPREGO, mas que na verdade não passa de uma encenação para vender cursos.

Mesmo após eu dizer que já havia declinado, ainda tentaram me convencer.

Foi aí que disse com todas as letras que se continuassem me ligando, eu iria denuncia-los formalmente por fraude.

Na mesma hora se desculparam e disseram que tirariam meu telefone do mailing deles.

Mas então como encontrar o verdadeiro primeiro emprego?

  1. O primeiro passo para conquistar o verdadeiro primeiro emprego é criar um currículo para o adolescente.
  2. No currículo, não coloque o endereço completo, apenas o bairro e a cidade.
  3. Também não coloque o nome completo, apenas o primeiro e o último nome. Para os demais, coloque apenas as iniciais.
  4. Coloque email e telefone de contato, de preferência de um dos pais que possam atender.
  5. Siga o modelo abaixo:
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