A professora rasgou o trabalho na frente da sala toda • Mãe de Adolescente

 eImagine: sua filha entra no carro e, calmamente, diz que a professora rasgou o trabalho na frente da sala toda.

Eu, que sempre fui ponderada, fiquei extremamente transtornada e queria ir direto à delegacia mais próxima e fazer B.O. contra a professora.

No entanto, com a voz bem branda e de forma muito pausada e didática, Gigi me explicou tudo em detalhes, enquanto me pedia calma.

Como aconteceu

“Nós entregamos o trabalho e ela disse que estava ótimo e só pediu que escrevêssemos os nomes atrás.

Fomos até lá e escrevemos e quando entregamos de volta, ela o pegou diante de todos, arrancou uma das colagens e, em seguida, rasgou-o ao meio na frente da sala toda.”

Eu questionei se havia alguma motivação, não que algo justificasse uma professora rasgar um trabalho escolar, mas ela me disse que não havia entendido e que talvez porque eles tivessem muito empolgados por ela ter gostado.

Como reagi

Fiquei tão transtornada!

Queria ir à delegacia, fazer B.O., reclamar na delegacia de ensino, mas a Gigi não deixou.

Ela disse gostaria de resolver com a coordenadora sem a minha interferência e que me manteria informada.

Como foi no dia seguinte

Confesso que não gostei. Por mim eu teria tomado as providências, mas ensinei a Gigi a ser uma pessoa ponderada e a resolver as coisas da forma mais amigável possível, então ela só estava praticando o que eu havia ensinado.

Foi complicado, claro, mas eu respeitei e esperei o dia seguinte para que ela me contasse como foi com a coordenadora.

Como foi o desfecho do caso

Ao pegá-la, ela já entrou no carro contando, toda orgulhosa, que tudo havia sido resolvido com uma conversa. A coordenadora os ouviu e chamou a professora que, num primeiro momento negou tudo, mas depois admitiu o feito.

Segundo ela, ela não tinha sangue de barata, mas não expressou o exato momento de sua atitude exagerada. Os alunos também não cutucaram, pois queriam a solução e tiveram.

A professora vai dar um jeito de suprir a nota do trabalho que ela rasgou, sem que os prejudique. E também tiveram a promessa de que não terão mais surtos.

E assim espero.

Deixei claro para a Gigi que ao menor escorregão desta professora, eu interferiria, já que foi algo grave, mas respeitei o pedido dela e fiquei muito feliz.

Como me senti depois

Feliz e orgulhosa por ver minha filha se tornando um ser humano ponderado, estratégico, inteligente e amigável.

Às vezes, a gente precisa abrir espaço para que eles possam nos mostrar que já estão crescendo e que valorizam tudo que nós os ensinamos.

Ser mãe é mais do que meramente proteger.

É saber a hora de deixá-los decidirem por si e lidarem com as consequências e nós com as nossas, afinal deixá-los viver é uma consequência da maternidade.

Mais um dia, mais uma lição.

Me tornei mãe aos 24 anos, um ano após ter perdido a minha mãe. Tudo ia bem, quando aos 29, fiquei viúva de forma trágica e me vi como mãe solo. Aos 33, conheci o meu atual marido e aos 35, minha filha (com 10 anos na época) sofreu um acidente num pula-pula que a deixou 7 meses em uma cadeira de rodas e com grandes chances de sequela. Após dois anos do acidente, resolvi criar o blog e aqui estamos, vivendo juntas a emoção da maternidade durante a fase da adolescência. Mas não só isto!

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