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São Paulo – Alunas do Centro Paula Souza se levantam contra machismo em sala de aula.

As alunas do Centro Paula Souza se levantam contra o machismo em sala de aula, após uma série de manifestações absurdas vindas de professores homens da instituição.

As alunas das Unidades Etesp e Etecap, após episódios de manifestações machistas de professores diferentes, em ocasiões diferentes, decidiram se levantar e, juntas, protestar para que este tipo de atitude não se repita.

Aqui, o meu intuito é dar voz a estas corajosas e inspiradoras meninas, portanto reproduzirem NA ÍNTEGRA as falas delas, abaixo.

E antes de mais nada, eu quero deixar claro o quanto estou orgulhosa e inspirada por cada uma destas meninas! Quero dar todo o meu apoio para esta luta que, como falei para elas, não é só delas, é de todas nós!

Aliás, ao fim deste post, eu que também fui aluna do Centro Paula Souza, no ETE PV (hoje, ETEC PV), também vou contar casos de machismo que vi e vivenciei dentro da instituição. Isto há mais de 20 anos, o que mostra que ainda hoje as coisas são iguais e que, mais do que nunca, PRECISAM mudar!

ETESP | “Mulher que faz esse tipo de coisa e é trabalho da mulher limpar”

Relato de uma aluna da Etesp, na íntegra:

“O ocorrido aconteceu na minha sala, terceiro administração na aula de logística.

Estávamos esperando o professor logo após o intervalo, quando ele chegou na sala viu alguns desenhos na lousa (como lanches e flores). Então ele parou a sala toda e chamou uma aluna em sua mesa e disse à ela: “Hoje você vai limpar a lousa para mim”.

A aluna, então, foi até a lousa e quando pegou o apagador, o professor chegou perto dela e disse: “E limpa direito” e ficou ao lado, com os braços cruzados, olhando como se estivesse analisando o trabalho da aluna. Logo após, olhou para sala toda e falou “Toda vez que tiver desenhos na lousa, vou chamar uma aluna para limpar” e deu ênfase ao “aluna”.

Na mesma hora, as alunas o questionaram e ele simplesmente disse: “Mulher que faz esse tipo de
coisa e é trabalho da mulher limpar”.
Assim que foi dito isto, as alunas ficaram indignadas e saíram todas da aula e foram para frente da coordenação, que orientou que fizéssemos um relato escrito sobre o ocorrido e que todas as alunas assinassem e entregasse para a coordenação.

Segundo as alunas, o relato foi feito e inclusive teve relato de uma outra sala onde um outro fato parecido com o mesmo professor ocorreu, também assinado pelas respectivas alunas. O que evidenciaria claramente um comportamento de reforço à culturas machistas por parte deste docente.

ETESP | “se o problema é olhar, então vamos todos usar óculos escuros, desse jeito ninguém sabe quem tá olhando para quem”

Relato da aluna da Etesp, na íntegra:

No dia 8 de março, os alunos e alunas do 2º ETIM de Meio ambiente, ouviram coisas absurdas do professor de Tecnologia de Processos.

Tudo começou quando dois alunos levaram um assunto de nossa escolha, à pedido do professor, para discussão em sala de aula e o tema escolhido foram as mulheres que fizeram história na luta, para lembrar a todos o porquê do dia 8 de março ser o dia da mulher.

O debate de início estava pacifico, sem comentários absurdos e machistas, mas a situação mudou no decorrer da aula, quando o professor soltava comentários que ele alegou que eram para “promover o debate”.

Os comentários foram diversos, como uma infame comparação entre o estupro e uma linha e agulha, onde ele alegou que “se um não for, nada vai acontecer”, ou seja, que o estupro não acontece se um não permitir, para acontecer OS DOIS precisam permitir.

Outro comentário foi que a mulher se defende sozinha, que se uma mulher ver outra sendo estuprada ela não deve ajudar.

Disse também coisas do tipo “se o problema é olhar, então vamos todos usar óculos escuros, desse jeito ninguém sabe quem tá olhando para quem” (referente a olhares maliciosos dos homens para as mulheres na rua) e botou a culpa da mulher que é assediada ou estuprada inteiramente na mulher, dizendo “se você sai de shorts na rua, você está assumindo o risco que algo ocorra com você”.

E para finalizar os belos comentários, uma aluna retratou que no dia das mulheres de 2017, havia sofrido assédio na volta pra casa e fez a seguinte pergunta ao professor:

“Se o senhor fosse mulher e sofresse assédio no dia da mulher, ‘seu dia’, como você se sentiria?”

E aí veio a resposta que ferveu o sangue de todas as alunas presentes: “Vai ver, ele só queria comemorar o dia das mulheres passando a mão em você”.

Após esta frase, as alunas se retiraram da sala faltando ainda 50 minutos de aula (eram 3 aulas de 50 minutos seguidas) e se juntaram as outras minas da escola.

Foi aí que elas fizeram o jogral em frente à coordenadoria:

ETECAP | Manifestações estudantis dentro e fora do ambiente escolar

Relato das alunas na íntegra:

O oito de março de 2018, na Escola Técnica Estadual Conselheiro Antônio Prado (ETECAP), foi um dia marcante para alunos e professores.

Durante toda a semana, as mulheres do grêmio organizaram a chamada Semana das Mulheres, em que cada dia houve uma atividade diferente relacionada ao tema.

Tivemos inicialmente uma oficina de cartazes que nos trouxe um relato valioso de uma aluna; uma roda de conversa sobre o feminismo negro, evento importantíssimo em que algumas mulheres negras da própria chapa trouxeram discussões e desabafos para as participantes; uma palestra sobre “O Direito da Mulher e a Lei Maria da Penha”, com as integrantes do coletivo Rosa Lilás de Campinas, Cristiane Anizeti e Stéfanni Cristina e um “Sarau das Minas”, no qual as mulheres tiveram espaço para expressar suas manifestações artísticas.

A palestra aconteceu na quinta-feira, durante as duas últimas aulas do período da manhã, no Pátio 1 (P1).

Conforme conversado com a coordenação da escola, tornou-se um evento obrigatório, em que nenhum professor poderia dar aulas simultaneamente a palestra.

O tema foi além, quando as alunas tiveram a oportunidade de falar no microfone e relataram diversos assédios que vinham sofrendo no ambiente escolar, por parte de professores e funcionários.

As mulheres do grêmio se posicionaram e criaram um e-mail de denúncias (denunciasetecap@gmail.com), por conta dos graves acontecimentos dentro da escola.

Mesmo com o encerramento da Semana das Mulheres, o sentimento de revolta e a necessidade de mudança desencadeou nos estudantes uma série de protestos dentro da sala de aula.

A indignação de ter que estar no mesmo local com um professor/funcionário conhecido popularmente por “olhar para decote das alunas”, “fazer piadinhas constrangedoras de teor machista e/ou sexual”, “chamar alunas para sair”, “fotografar alunas”, foi tanta, que a aula hoje (quarta feira, 14/03) se tornou uma Assembleia Geral dos alunos no Pátio 2 (P2).

Conforme os vídeos filmados pelos alunos, tudo começou quando uma das salas foi agressivamente repreendida pela coordenação por conta de um dos protestos na quinta feira (14/03), o que levou a uma discussão na sala dos professores entre eles mesmo.

Os estudantes por sua vez, resolveram se reunir no corredor, em frente à coordenação e sala dos professores pedindo fim ao assédio na ETECAP.

Receberam a resposta da coordenação de que até o meio dia, não haveria aula, pois os professores estariam em reunião sobre o assunto e no dia seguinte (15/03) dariam uma resposta.

Ao invés de se dispersarem, todos os alunos se reuniram em uma assembleia no Pátio 2 (P2), para discutir o posicionamento dos estudantes e o que seria feito entre eles.

Perante todos os ocorridos ao longo do dia, a chapa se posiciona a favor das manifestações estudantis dentro e fora do ambiente escolar.

Esperamos ter esclarecido aos interessados e alunos que faltaram nesse dia importante. Mais informações no decorrer da semana.

Não dá para voltar atrás!

Como falei no começo do post, sinto ORGULHO e INSPIRAÇÃO por estas meninas.

Não dá mais para voltar atrás e não tem como regredirmos mais. Nem pararmos no tempo.

Passou da hora de mudarmos isto! Chega!

Se eu, que estudei na instituição há 20 anos, tinha relatos guardados e pensava que hoje as coisas eram melhores, me enganei.

Então já é hora de mudar tudo, sim! Se não podem trocar os professores, que passem a punir severamente os comportamentos machistas dentro e fora da sala de aula.

Porque além de ser extremamente agressivo e repugnante, um professor é uma figura de representatividade. Se ele representa o machismo, ele o perpetua.

E já basta!

ETEPV | Meu relato dentro do Centro Paula Souza

Bom, durante a minha passagem pelo ETE PV, eu fui dada como “revoltadinha”, porque não me calava diante de situações que eu considerava abusivas.

Na época, eu presenciei várias situações nojentas com professor de Educação Física fazendo piadas machistas, se insinuando para aluna, etc, mas pouco podia fazer de verdade. Ou achava que pouco podia.

No entanto, me envolvi em várias situações com um professor de Matemática de nome Wanderley.

Eu era EXCELENTE aluna de Matemática, então nem se pode alegar que era para tentar distrair o professor das minhas notas ou inverter situações.

Tinha notas ótimas mesmo, até que entrou este professor. E eu continuei sendo ótima aluna, diga-se de passagem.

Mas ele tinha aquele jeitão metido a galã, que solta piadas escrotas e insinuações do tipo cantadas inocentes.

E eu tinha NOJO deste cara. Ao ponto de ir me sentar na última carteira da sala e ele, em um ato completamente abusivo, me pegar com cadeira e tudo e me colocar diante de si, na frente da sala.

E não foi uma ou duas vezes, não.

Como ele não conseguia me prejudicar pelas notas, acabava sempre gerando situações onde pudesse me expulsar da sala alegando mal comportamento que, na verdade, eram reações aos seus abusos.

Hoje percebo o quanto eu queria ter feito o que estas meninas fizeram. Talvez, elas não estivessem passando por isto agora.

Mas, afinal, em que este tipo de assédio e reforço de falas machistas pode prejudicar as meninas?

Bem, em primeiro lugar, como já foi dito, o professor é uma figura de influência, então isto pode – e provavelmente vai – influenciar alunos a repetirem posturas machistas.

Segundo, que este tipo de assédio tem por intuito diminuir as garotas e sua capacidade de acreditar em si e nos próprios potenciais, forçando-as a desistir do que querem para continuar ocupando lugares que ELES consideram “lugar de mulher”.

Segue um relato que diz muito sobre como o assédio machista pode causar danos prolongados:

“Em 2008 eu comecei a ter aulas de física no colégio que estudava.

Nunca fui boa com exatas, eu sabia dessa dificuldade. Então já estava um pouco com o pé atrás, mas sabia que precisava dar um jeito de passar por aquelas aulas nos próximos 3 anos.

Desde a primeira aula já dava para notar o olhar de deboche do professor, sem contar as falas para amedrontar os alunos com a matéria.

Foi assim por todo o ensino médio, toda aula era uma piadinha diferente sobre a nossa dificuldade com a matéria. No último ano do EM, todos estavam focadíssimos no vestibular e nas provas que viriam pela frente. Fui mal nas primeiras provas do colégio.

Ele questionou que curso eu tentaria na faculdade, quando eu disse “Engenharia”, ele riu e falou “Sério? Você? Engenheira? Não consegue ir bem nem nas minhas provas…”.

Nesse dia eu chorei pela primeira vez porque alguém não acreditava em mim, me senti completamente incapaz, mas decidi continuar tentando.

Minhas notas na escola continuaram raspando na média e não passei no vestibular no primeiro ano, simplesmente desisti de estudar o conteúdo de física (o que é importante nessas provas de vestibulares).

No ano seguinte eu consegui, eu passei em uma das melhores federais. Mas também passei os últimos anos tendo o mesmo pesadelo: ele dizendo que eu não conseguiria nem passar de ano no colégio porque me reprovaria, ele dizendo que meu diploma da faculdade não valeria nada porque não sou capaz de entende rum problema simples da aula dele.

Eu ainda acordo assustada depois desses pesadelos, mas agora eu posso dizer que consegui: cheguei no último ano de engenharia. Eu amo meu curso, mas ainda sinto todo aquele bloqueio com física.”

Pedido de desculpas (via G1)

Segundo o Centro Paula Souza, responsável pela gestão da escola, os professores entraram nas salas de aula para pedir desculpas às alunas.

Veja a nota divulgada pela instituição, reproduzida na íntegra:

“A Assessoria de Comunicação do Centro Paula Souza informa que a instituição não compactua com nenhuma forma de desrespeito à mulher e a qualquer pessoa.

Seguindo normas regimentais, tão logo a direção da Etec tomou conhecimento do ocorrido, convocou e orientou os professores mencionados, que já se retrataram com as alunas.”

Te convenceu?

Bom, acho que todo mundo sabe que hoje é dia internacional da mulher, certo? Mas e daí?

É um dia como outro qualquer, mas pode ser um dia especial também. Nem que seja pela autoreflexão.

Enquanto mãe de menina, penso todos os dias no reforço do empoderamento, que seria uma espécie de encorajamento e reforço positivo.

Mas no dia de hoje, penso ainda mais. Penso no tamanho da minha impotência diante de tantos perigos do mundo.

O medo de toda mulher

Penso no medo que sinto toda vez que saio sozinha na rua e penso que em breve, ela também sentirá.

Na sensação constante de que ninguém é confiável, de que todos são suspeitos, de que a cada desconhecido, pode ser um novo risco.

Este medo é tão real que os homens são criados desde cedo para acompanharem suas mães, irmãs, amigas e namoradas até em casa.

Se não fosse um medo legítimo, não teria motivos para o pai achar que o irmão tem dever de levar e buscar a irmã, ao passo que ele possa sair sozinho.

A sensação de menosprezo

Não é incomum ouvir de amigas o quanto são menosprezadas, mesmo quando fazem algo com excelência.

É uma sensação real, legítima e constante.

A dona de casa faz exaustivos cuidados domésticos diários, mas ninguém nota, a não ser quando ela vem a faltar.

E este é só UM caso, talvez o mais grave de todos, que comprova o menosprezo.

O desconforto e o assédio velado

Quase toda mulher já se sentiu desnorteada, sem ter como agir diante de um assédio.

Especialmente em ambiente de trabalho, vindo de superiores, a gente fica com medo de falar algo e perder o emprego e ficar queimada no mercado.

Por quê? Porque se a gente fala, 99% das pessoas vão dizer que é frescura, que era só levar na brincadeira, que era só levar na boa, não ligar ou que estamos inventando.

Exatamente por isto, os assédios acabam não vindo à tona e todo mundo acha que é super de boas aturar piadinhas, cantadas de corredor, passadas de mão, etc.

Aí, quando finalmente é com alguém próxima, aí sim, ficam espumando pela boca, com raiva e tomam para si. Mas quando é só alguém da empresa, “Ah… Frescura”.

O falso empoderamento

Empoderamento é a palavra da vez. A gente ouve toda hora, da boca de todos e todas.

Quando é em fotos, então, nossa… “Linda. Empoderada!”.

Mas na hora de empoderar mesmo, de dar à outra a voz e vez, de dar suporte, de apoiar, mesmo que não concorde, mesmo quando ela possa vir a crescer mais que a outra?

Aí, não. Aí todo mundo se faz de morta, morridíssima.

Empoderamento é confiança, é reforço da autonomia. Elogio não é empoderamento. É só elogio.

“Mulher tem que se dar o respeito”

Não. Mulher não tem que NADA. Ela tem que fazer o que apetece a si mesma. Apenas.

Se você precisa de condições para respeitar alguém, seja homem, mulher, criança, você não tem ideia o que significa respeito.

Respeitar independe do outro, porque ou você PORTA respeito a todos ou você é um desrespeitoso esperando alguma vítima para dar o bote.

Uma pessoa de respeito, respeita e pronto. Não precisa de desculpas para respeitar.

Dia Internacional da Mulher: e daí?

E daí que o dia internacional da mulher é uma oportunidade de reflexão e também de filtragem.

Basta ver o que as pessoas postam, qual o posicionamento delas SOBRE AS MULHERES e você poderá reclassificá-las no seu jogo social.

Eu costumo dizer que é uma excelente oportunidades para mulheres solteiras saberem quais são homens com quem elas não devem se relacionar.

Comigo, este filtro sempre deu certo. Então recomendo.ria, as vezes