Como incentivar a leitura pré-adolescente • Mãe de Adolescente

Algumas mães vivem me pedindo dicas para incentivar a leitura pré-adolescente.

Então vou contar como um livro especialmente escrito para incentivar a leitura pré-adolescente, aguçou o sentido de leitura da Gigi.

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Como escolhi o livro

Era aniversário de 9 anos da Gigi e eu não havia comprado nada.

Estávamos na rodoviária, a caminho de Cananeia, quando entramos em uma livraria e ela sentou-se ao chão, como sempre faz em livrarias, folheando alguns livros.

De repente, bati o olho e vi “Diário de uma garota nada popular” e pensei em mostrar a ela, mas achei melhor comprar e surpreendê-la.

Algo me dizia que ela iria gostar.

E foi dito e feito!

Livros marcam

Aquele livro tornou-se um marco na vida de leitura dela e também na nossa relação.

Quando entreguei o livro a ela, fiz uma recomendação enquanto escrevia a dedicatória.

Eu estava certa de que seria esquecido em breve, no entanto não foi o que aconteceu.

Aquelas recomendações tocaram-na tão fundo que algo floresceu.

Ela foi lendo o livro em parte da viagem e eu devorei-o enquanto ela dormia.

Ao chegarmos em Cananeia, eu já havia lido metade e estava doida pra terminar, mas ela estava tão apegada que eu não me sentia a vontade pra terminar de ler na frente dela.

Os livros não ensinam apenas o que está escrito em suas páginas

Naquele mesmo dia, depois que ela dormiu, terminei o livro.

E ele é realmente bom, apesar de ser para pré-adolescentes.

Mas as lições principais não estavam escritas ali e, sim, estavam na forma como aquele livro passou a ser parte importante da nossa relação mãe-e-filha.

Gigi demorou uns 5 dias para terminar de ler, mas todas as noites antes de dormir cultuava a leitura dele religiosamente.

E à medida em que lia, me contava da relação dela com as personagens de forma empolgada.

Incentivar a leitura contempla aprender a respeitar o que seu filho quer ler

Foi ali que percebi o erro de tantos pais…

A Gi sempre gostou de ler, mas eu vivia insistindo pra que ela lesse livros que eu gostava.

Eu achava que assim a incentivaria a ler mais e, na verdade, era o inverso.

Quanto mais eu reforçava o que eu gostava, menos eu respeitava o que ela gostava de ler e ela acaba desinteressando.

Com este livro eu finalmente pude entender que o gosto dela era diferente do meu e que nem por isso era um “mau gosto”.

Livros são para sempre

A minha história com o amor pelos livros começou com Julio Verne.

A dela, com Rachel Renee Russell.

Caminhos diferentes, gostos diferentes, mas a mesma paixão.

Depois de alguns anos, demos para ela um box com todos os livros da série (até então), incluindo este primeiro novamente, já que vinha no box.

Pois ela empresta todos os livros. Menos aquele, o mais velho, o primeiro.

Ela o relê sempre. Aquele exemplar.

E ela o guarda com tanto carinho, como se fosse uma relíquia mesmo.

Um marco na vida dela e na minha

Hoje me dou conta de como aquele exemplar é especial, pois tornou-se ícone de toda uma história nova.

A relação dela com a fase pré-adolescente, a sensação de finalmente poder ler o que gosta, a vontade de ler sem ter que se sentir obrigada a ler algo específico e o marco na nova relação mãe-e-filha, onde eu finalmente a entendi como indivíduo que escolhe a própria leitura.

Assim, recomendo-os:

Se querem ver seus filhos lendo mais, respeitem os gostos deles.

Deixem-nos escolher o que vão ler.

Permitam-nos descobrir do que gostam.

Eles vão construir a própria relação com a leitura.

Me tornei mãe aos 24 anos, um ano após ter perdido a minha mãe. Tudo ia bem, quando aos 29, fiquei viúva de forma trágica e me vi como mãe solo. Aos 33, conheci o meu atual marido e aos 35, minha filha (com 10 anos na época) sofreu um acidente num pula-pula que a deixou 7 meses em uma cadeira de rodas e com grandes chances de sequela. Após dois anos do acidente, resolvi criar o blog e aqui estamos, vivendo juntas a emoção da maternidade durante a fase da adolescência. Mas não só isto!

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