Estrias na adolescência: é normal, como evitar e o que realmente funciona
Quando a minha irmã entrou na adolescência, as estrias apareceram quase da noite para o dia. Quadris, coxas, costas — o corpo estava crescendo rápido demais e a pele simplesmente não acompanhou. Era o fim dos anos 80, não existia internet e a informação que chegava até nós vinha de revistas, da vizinha ou da farmácia. Resultado: ninguém soube o que fazer no momento certo. As estrias evoluíram livremente enquanto a gente tentava “remédios caseiros” que, na melhor das hipóteses, não adiantavam nada — e na pior, irritavam ainda mais a pele.
Hoje, décadas depois, a quantidade de informação disponível é infinitamente maior. O problema é que uma boa parte dela ainda é errada, exagerada ou movida por interesse comercial.
Este artigo existe para mudar isso. Vou falar sobre o que de facto acontece com a pele durante a puberdade, o que ajuda de verdade (e o que é mito), e como você pode apoiar o seu filho nesse processo — sem drama, sem cremes milagrosos e sem a angústia que a falta de informação certa causa.
Estrias na adolescência: aceitação e cuidados com o corpo
A adolescência é uma fase repleta de mudanças. É um período em que a mente, os desejos e o corpo passam por transformações significativas — e muitas vezes, essas mudanças físicas deixam marcas. Marcas que se chamam estrias na adolescência.
O que aconteceu com a minha irmã, e o que aconteceu com o Dressler, é o que acontece com milhões de adolescentes todos os anos: o corpo cresce, as estrias aparecem, e a falta de informação ou de atenção no momento certo faz toda a diferença entre um processo natural bem cuidado e uma marca que ficou maior do que precisava.
Ter estrias não é sinal de descuido, de doença ou de falha. É sinal de crescimento. Mas entender isso — e ajudar o seu filho a entender também — é um processo que começa com informação de verdade.
Por que as estrias aparecem na adolescência?
Para entender o surgimento das estrias na adolescência, pense na pele como um elástico. Durante os famosos estirões de crescimento da puberdade, o corpo do adolescente cresce de forma muito acelerada — às vezes vários centímetros em poucos meses.
Quando esse estiramento ocorre mais rápido do que a pele consegue acompanhar, as fibras de colágeno e elastina (responsáveis pela firmeza e elasticidade) acabam se rompendo. O resultado é uma pequena cicatriz interna que vemos do lado de fora como uma estria.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), os locais mais comuns para o aparecimento das estrias na adolescência são:
Meninas: quadril, coxas, glúteos e seios.
Meninos: ombros, costas (região lombar) e coxas.
A genética também tem um papel importante: se os pais tiveram estrias na adolescência, é provável que os filhos tenham. Isso não significa que nada pode ser feito — significa que o cuidado preventivo precisa começar mais cedo.
Vale lembrar que as meninas costumam enfrentar outras mudanças ao mesmo tempo, como a primeira menstruação e a primeira consulta ao ginecologista. Tudo junto, de repente, pode ser bastante avassalador.
Estrias vermelhas, roxas e brancas: o que a cor revela
Nem todas as estrias são iguais — e a cor diz muito sobre o estágio em que a pele está e qual o potencial de melhora com tratamento.
| Característica | Estrias vermelhas/roxas | Estrias brancas |
|---|---|---|
| Estágio | Recentes — fase inflamatória | Antigas — fase cicatricial |
| Sensação | Podem coçar ou ter leve relevo | Textura fina, parecida com cicatriz |
| Tratamento | Alta taxa de sucesso com hidratação e cuidado | Difícil reversão — objetivo é suavizar o aspecto |
| Urgência | Agir agora faz diferença real | Tratamento médico é o caminho mais eficaz |
Estrias vermelhas são as mais recentes e, por isso, as que mais respondem ao cuidado. A inflamação ainda está ativa, o tecido ainda está vivo — e é exatamente nesse momento que a hidratação e os ativos certos fazem mais efeito.
Estrias roxas seguem a mesma lógica, com processo inflamatório um pouco mais acentuado. Ainda no primeiro estágio e ainda com bom potencial de melhora sem procedimentos invasivos.
Estrias brancas são cicatrizes consolidadas. Não desaparecem com cremes, por mais caros que sejam. O que é possível é suavizar o aspecto com acompanhamento dermatológico.
De acordo com a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), qualquer tratamento dermatológico em adolescentes — incluindo ácidos e lasers — deve ser prescrito e acompanhado por um médico, para evitar manchas ou irritações na pele ainda em desenvolvimento.
Estrias em meninos? Meninos também têm estrias — e ninguém costuma avisar

Imagem: servimedic.com.br
O meu marido, Dressler, tem 1,90 m. Cresceu muito rápido — e cresceu num período especialmente difícil: aos 14 anos, perdeu a mãe. Foi exatamente nessa fase que as estrias apareceram nas costas e nos quadris. Não havia ninguém para dar atenção a isso, para explicar o que estava acontecendo, para sugerir um hidratante ou marcar uma consulta. As estrias evoluíram sem qualquer cuidado.
Hoje ele não tem nenhum problema de autoestima por isso. Mas certamente, com a informação e o cuidado certos na época, teria evitado boa parte dessas marcas.
Estudos indicam que entre 40% e 70% dos adolescentes do sexo masculino desenvolvem estrias durante a puberdade. O tema é muito menos falado do que entre as meninas — o que faz com que muitos rapazes se sintam sozinhos e envergonhados, sem saber que é completamente normal.
Os principais gatilhos nos meninos são:
- Estirão de crescimento acelerado, especialmente entre os 12 e os 16 anos
- Início da musculação ou treino intenso com ganho rápido de massa muscular
- Aumento de peso rápido em qualquer fase da adolescência
Estrias nas costas na adolescência: por que são tão comuns nos rapazes?

A região das costas — especialmente a lombar e os ombros — é uma das mais afetadas nos rapazes por uma razão simples: é onde o crescimento em altura e a expansão muscular acontecem de forma mais intensa e rápida.
A pele dessa região tende a ser menos trabalhada nos cuidados diários (afinal, quem pensa em hidratar as costas todo dia?), o que a deixa mais vulnerável ao rompimento das fibras quando o estiramento é acelerado.
Se o seu filho tem estrias nas costas, saiba que:
- É um dos locais mais comuns e nada indica problema de saúde
- A hidratação diária dessa área específica faz diferença real se aplicada durante a fase vermelha/roxa
- Estrias brancas nas costas são muito comuns em homens adultos — e não afetam a saúde nem a vida de ninguém
A abordagem é sempre a mesma: normalizar, informar e cuidar. Se você tem dificuldade em criar esse espaço de conversa com o seu filho, o artigo sobre como os pais podem conquistar a confiança dos filhos adolescentes pode ajudar muito.
Como evitar estrias na adolescência: 4 passos fundamentais
A boa notícia é que, apesar do papel da genética, hábitos simples e consistentes podem fortalecer significativamente a pele e reduzir a extensão das estrias — especialmente se iniciados antes ou durante o estirão.
1. Hidratação profunda e constante
A pele hidratada é uma pele mais elástica. Incentive o seu filho a usar creme hidratante diariamente, logo após o banho, quando os poros estão abertos e absorvem melhor os nutrientes. Dê preferência a formulações com ureia, óleo de amêndoas doces, manteiga de karité ou cacau, e óleo de rosa mosqueta.
2. Água — de dentro para fora
Não adianta hidratar por fora se o corpo estiver desidratado. Um adolescente ativo deve consumir entre 2 e 3 litros de água por dia. Parece básico, mas faz diferença real na elasticidade da pele.
3. Alimentação rica em vitamina C
A vitamina C participa ativamente da síntese de colágeno. Laranja, kiwi, morango, brócolis e pimentão amarelo são aliados poderosos — e muito mais eficazes do que qualquer suplemento.
4. Movimento regular
Exercício melhora a circulação e favorece a renovação da pele. Não precisa ser academia — qualquer atividade que tire o adolescente do sedentarismo já ajuda. Se estiver sem ideias, confira nossa lista de 15 hobbies para fazer com filhos adolescentes.
Tratamentos para estrias na adolescência: o que funciona de verdade
Produtos com evidência real
Nenhum produto elimina estrias brancas já formadas. O foco correto é suavizar estrias vermelhas recentes e evitar o surgimento de novas. Os ingredientes com melhor respaldo são:
| Ingrediente | O que faz | Eficácia real |
|---|---|---|
| Óleo de rosa mosqueta | Estimula regeneração celular, rico em vitamina A | Moderada — melhor em estrias vermelhas recentes |
| Manteiga de karité | Hidratação profunda, melhora elasticidade | Moderada — requer uso diário por pelo menos 3 meses |
| Aloe vera (babosa) | Anti-inflamatório natural, ativa produção de colágeno | Moderada — melhor combinada com outros ativos |
| Bio-Oil | Mistura de óleos e vitaminas A e E | Moderada — uso contínuo e precoce faz diferença |
| Ureia (5% a 10%) | Hidratação intensa e melhora de textura | Boa para estrias brancas — suaviza o aspecto |
Duas opções com boa evidência e fácil acesso online: o Bio-Oil, recomendado para cuidados com a pele desde a minha adolescência, e o óleo de rosa mosqueta puro, que tem estudos consistentes sobre regeneração cutânea. Para quem quer explorar mais opções, há uma lista completa de produtos para estrias com diferentes faixas de preço e formulações.
Marcas importam menos do que os ingredientes. Antes de comprar qualquer produto, leia o rótulo e verifique se os ativos acima estão presentes na fórmula.
Quando levar ao dermatologista?
A maioria das estrias na adolescência não precisa de tratamento médico — apenas de cuidado e aceitação. Mas vale marcar uma consulta se:
- As estrias forem muito extensas, profundas ou aparecerem em locais incomuns (rosto ou pescoço)
- O adolescente mostrar sinais de sofrimento emocional intenso — evitando praia, piscina ou atividade física por causa das estrias
- Houver dúvida se são estrias ou outra condição de pele
Tratamentos médicos disponíveis (só com prescrição)
- Tretinoína tópica — estimula produção de colágeno; funciona melhor em estrias vermelhas recentes
- Laser fracionado — melhora textura e cor; geralmente 3 a 6 sessões; indicado para maiores de 16 anos com avaliação médica
- Microagulhamento — estimula colágeno com micropuncturas; bons resultados em adolescentes mais velhos com acompanhamento
Em Portugal, é possível consultar um dermatologista pelo SNS com referenciação do médico de família, ou em clínicas privadas. No Brasil, o SUS cobre consultas dermatológicas. Em nenhum caso inicie tratamentos com ácidos, lasers ou agulhas sem avaliação presencial.
Como ajudar o adolescente a aceitar o próprio corpo
Aceitar o próprio corpo é um processo difícil e, para muitas de nós, doloroso e crônico. Digo isso por experiência própria — eu mesma sempre tive dificuldades com isso, e sei que a insegurança que vem de não se aceitar é muito mais pesada do que qualquer estria.
Em uma era dominada por redes sociais e filtros que criam peles irreais, o surgimento de estrias pode fazer o adolescente sentir vergonha de ir à praia, usar shorts ou até de se relacionar. É importante que pais e mães estejam atentos para apoiar os filhos nesse processo.
Algumas formas concretas de ajudar:
- Valide os sentimentos: não diga “isso não é nada” ou “é frescura”. Para eles, é um problema real. Ouça com empatia.
- Normalize sem minimizar: lembre que modelos, atletas e a maioria dos adultos têm estrias. É sinal de que o corpo está se desenvolvendo — não de descuido.
- Transforme o hidratante em autocuidado: o uso diário do produto deve ser um momento de cuidado com o próprio corpo, não uma punição estética.
- Eduque sobre o que é real: a diferença entre o que os filtros mostram e o que a pele de verdade parece é um assunto que vale abordar diretamente.
Se você tem dificuldade em criar esse espaço de conversa, recomendo o artigo sobre como ajudar os adolescentes a desenvolverem autoestima mais saudável — com abordagens práticas para quebrar o gelo em conversas difíceis.
Lembre-se: a aceitação do próprio corpo é um processo contínuo. A mensagem mais importante que os seus filhos podem receber é que são amados e aceitos, independentemente das marcas que o corpo carrega.
Perguntas frequentes sobre estrias na adolescência
As estrias na adolescência somem com o tempo?
Não somem — mas mudam. As estrias vermelhas ou roxas evoluem naturalmente para brancas à medida que a inflamação cede e o tecido cicatriza. Com o tempo, as brancas ficam menos perceptíveis, especialmente em peles mais claras. Mas “menos perceptível” não é o mesmo que “sumiu”. Com tratamento médico adequado, é possível reduzir bastante o aspecto — mas eliminação total raramente acontece, especialmente nas estrias brancas.
As estrias na adolescência desaparecem sozinhas?
Não. Como são cicatrizes causadas pelo rompimento das fibras da pele, não regridem espontaneamente. O que muda com o tempo é a coloração e a visibilidade — mas a marca permanece.
Como acabar com as estrias em 3 dias?
Não existe essa possibilidade. Estrias são cicatrizes internas — não respondem a cremes, receitas caseiras ou tratamentos express. Desconfie de qualquer produto que prometa isso: não há evidência científica que sustente essa afirmação. O que é possível em 3 a 4 semanas de hidratação consistente (2 vezes por dia) é redução da vermelhidão e melhora da textura nas estrias vermelhas recentes. Estrias brancas antigas não respondem a tratamentos caseiros.
Qual o melhor creme para estrias na adolescência?
Não existe um produto milagroso — existe consistência no uso dos ingredientes certos. Para estrias vermelhas (recentes): óleo de rosa mosqueta, centella asiática, aloe vera e tretinoína (só com prescrição). Para estrias brancas (antigas): ureia, manteiga de karité e vitamina E. O Bio-Oil é uma das opções mais conhecidas e com uso continuado desde os anos 80 com boa reputação clínica. O óleo de rosa mosqueta puro também tem evidência consistente para regeneração. Há ainda uma lista com diferentes opções e faixas de preço para quem quer comparar.
Meninos também têm estrias na adolescência?
Sim — muito mais do que se fala. Entre 40% e 70% dos adolescentes do sexo masculino desenvolvem estrias durante a puberdade. Os locais mais comuns são ombros, costas e coxas. O silêncio em torno do tema faz com que muitos rapazes se sintam sozinhos nesse processo, sem perceber que é completamente normal.
Como eliminar estrias brancas com tratamentos caseiros?
Tratamentos caseiros não eliminam estrias brancas já formadas. Podem suavizar ligeiramente a textura com uso muito consistente ao longo de meses — mas o único caminho com resultados mais expressivos é o acompanhamento dermatológico. Alguns ingredientes naturais podem ainda agravar a pele sensível. Consultar um dermatologista antes de iniciar qualquer tratamento é sempre a escolha mais segura.
Coçar a pele causa estrias?
Não diretamente. A coceira é sintoma do estiramento — as fibras estão se rompendo e a pele reage com inflamação. Ou seja, a coceira é consequência, não causa. Coçar intensamente, porém, pode ferir a pele e agravar a inflamação local.
Quando procurar um dermatologista?
Se as estrias forem muito extensas ou aparecerem em locais incomuns, se o adolescente evitar atividades por vergonha, ou se houver dúvida sobre o que é a marca na pele. Em Portugal, basta referenciação do médico de família para o SNS. No Brasil, o SUS também cobre a consulta dermatológica.
A aceitação do próprio corpo é importante?
É fundamental — e muitas vezes mais urgente do que qualquer tratamento. A saúde mental do adolescente está diretamente ligada à forma como ele percebe e se relaciona com o próprio corpo. Estrias são marcas de crescimento, não de falha.
As informações deste artigo são de caráter informativo e não substituem uma consulta médica. Em caso de dúvidas sobre a saúde da pele do seu filho, procure um dermatologista. Confira também este artigo do site Tracte sobre como prevenir estrias.
