Proibir: um jeito de não se comprometer fingindo que está comprometido • Mãe de Adolescente

Proibir: um jeito de não se comprometer fingindo que está comprometido

Proibir: um jeito de não se comprometer fingindo que está comprometido. Você concorda?

Bem, em primeiro lugar, este é um post de OPINIÃO.

E, como eu não sofro de demência, óbvio que estou defendo a MINHA opinião, o que EU acho a respeito.

Isto não significa que você seja obrigada a concordar e a levar isto como regra.

Dito isto, vou discorrer a respeito do que eu acho e, caso eu consiga, explicar porquê acho isto.

Proibir os filhos é muito mais fácil do que se envolver na formação do indivíduo

Vira e mexe, vejo pais orgulhosíssimos dizendo que proíbem os seus filhos disso ou daquilo.

“Aqui em casa é proibido ver X youtuber”.

“Aqui em casa é proibido falar tal  coisa”.

E, ao ver isto, penso duas coisas:

1. Estes pais não fazem IDEIA de que as proibições paternais só funcionam aos ohos deles.

2. Estes pais sentem preguiça absurda de educar os filhos, por isso repetem o comportamento proibitivo dos avós que eles tanto lutaram contra e nem se dão conta.

Formar senso crítico dá muito trabalho. Proibir é bem mais fácil!

Aí vem outra questão: a de que para formar senso crítico DE VERDADE, é necessário se envolver DE VERDADE.

Proibir é muito mais fácil. É só dizer “Não pode ver tal coisa” e pronto.

Agora, para formar o senso crítico, seria preciso que os pais estivessem dispostos a permitir que os filhos vissem e que eles se envolvessem de verdade na formação dele.

Teriam que assistir junto, teriam que conversar sobre os temas, sobre a linguagem adotada, sobre o enfoque.

Nossa, quanto trabalho! Mais fácil só proibir mesmo e pronto, não é mesmo?

Proibir é, na verdade, “proibir”, né? Porque só funciona enquanto você tá de olho

A maioria dos pais que fala em proibir os filhos de fazerem algo deve ser pai/mãe de bebê ou criança, que é quando eles ainda tem o controle local, físico e geográfico total dos filhos, né?

Porque não é possível que pais de pré-adolescentes ou adolescentes, em sã consciência, achem mesmo que proíbem algo de fato.

A não ser que sejam pessoas completamente desocupadas e neuróticas que passem 24 horas por dia ao lado do filho, até mesmo na escola, pra poder garantir que eles não farão algo.

E nem é porque são “mau caráter” que adolescentes desobedecem proibições dos pais, não.

É porque, nesta fase, existem certas situações em que ou eles fazem parte de algo, ou estão fadados a viverem deslocados e aí, se integrar pode custar, sim, desobediências.

E, cá entre nós, tem que ser muito inocente pra achar que o filho não burla nada nesta fase.

Então, também tem que ser muito inocente (pra não dizer outra coisa) pra crer que proibir algo seja, de fato, alguma solução real.

Não existe outro jeito, senão o de se envolver de verdade

Aqui, mais uma vez, reforço que este post é OPINATIVO, portanto falo do que EU acredito.

E eu acredito que a forma mais adequada de formar um indivíduo é dando a ele autonomia, mas com o devido acompanhamento a cada fase, para que ele possa desenvolver o próprio senso crítico.

Não tem como proibir as coisas de fato, então o jeito é se integrar e entender ao máximo o mundo dele, a forma como ele enxerga as coisas e as pessoas e, a partir disso, lidar com as situações.

Explicar exaustivamente como funcionam as escolhas e suas consequências, mostrar que apesar dele ter tudo ao alcance, é importante que ela saiba o que ele vai permitir que seja influência ou não.

O que ela vai consumir ou não.

Quanto mais proibimos…

Quanto mais proibimos, quanto mais damos respostas prontas e menos estamos preparando este carinha para ser alguém plenamente capaz de escolher por si e quanto mais tempo proibimos, enquanto outros amigos podem, mais estamos afastando-os de nós e de sermos nós, as influências futuras deles.

Assim como faziam os nossos avós e, para muitos, os pais fizeram também.

Infelizmente, ainda vivemos como os nossos pais (ou avós), cada vez que repetimos os comportamentos deles, só que com novas justificativas.

Aproveite e leia: “10 atitudes que afastam os pais dos filhos adolescentes

Me tornei mãe aos 24 anos, um ano após ter perdido a minha mãe. Tudo ia bem, quando aos 29, fiquei viúva de forma trágica e me vi como mãe solo. Aos 33, conheci o meu atual marido e aos 35, minha filha (com 10 anos na época) sofreu um acidente num pula-pula que a deixou 7 meses em uma cadeira de rodas e com grandes chances de sequela. Após dois anos do acidente, resolvi criar o blog e aqui estamos, vivendo juntas a emoção da maternidade durante a fase da adolescência. Mas não só isto!

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