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Me identifico muito com a mãe da Isabella Nardoni pela forma de lidar com a perda trágica – e injusta – de alguém.

Quando houve o julgamento do caso Nardoni, eu estava há dias de testemunhar no julgamento pelo assassinato de Luciano – meu falecido esposo.

Prestei atenção a cada detalhe e uma coisa me chamou atenção: ao fim de tudo, as pessoas comemoravam como se fosse uma final de futebol.

Diante da euforia popular, Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, mostrou-se consternada com aquilo:

Não há o que comemorar. Três famílias estão se desfazendo hoje. Uma criança está morta e duas estarão privadas de conviverem com seus pais, além de carregarem um fardo e um estigma para sempre“.

Não me lembro ao certo as palavras, mas era algo neste sentido e que me tocou muito.

Dias depois aconteceu o julgamento do assassino do meu marido. As palavras de Ana Carolina ecoavam na minha mente.

E assim que foi dada a sentença, meu mundo desabou de vez.

Até aquele dia eu tinha em que me agarrar, algo para o qual lutar: a condenação do assassino. Depois da condenação não me sobrou nada.

Só a realidade de que dali para a frente a vida e as pessoas passariam a me cobrar igual a quem jamais passou pelo que passei.

Era tudo ou nada!

Ou eu superava ou eu teria que viver dentro de minha condição de vítima, de “viúva sofrida”. Eu teria que escolher entre ser forte ou fraca. Entre enfrentar ou me submeter.

E foi nessa hora que perdoei Rogério, não porque sou boa, mas porque eu não queria viver com essa âncora que é o rancor, o ódio, a necessidade de vingança. Nada mais eu poderia fazer, então era hora de cuidar de mim, da Gigi e seguir em frente.

E foi Ana Carolina, a pessoa que me inspirou a agir com resiliência, com espírito leve, com coração manso. Foi ela que me inspirou a superar.

Muito obrigada, Ana Carolina Oliveira. E que sua vida seja cheia de felicidades, pois você salvou a minha de ser uma vida amargurada.

O Brasil todo acompanhou e sofreu muito com o desfecho da história da menina Isabella Nardoni, em 2008, morta pelo próprio pai, Alexandre Nardoni, e pela madrasta, Ana Carolina Jatobá.

 

A trágica morte da menina Isabella Nardoni

Até hoje não se sabem as exatas circunstâncias do acontecido e os reais motivadores para que o casal cometesse tal atrocidade. Não que caso eles dessem os motivos dele nós iríamos supor que justificassem, mas um crime de tamanha crueldade já é absurdo por si só e sem explicação, acaba ficando ainda pior.

A mãe da Isabella Nardoni, Ana Carolina Oliveira, mostrou-se extremamente espiritualizada, ao manter-se sublime e serena, mesmo diante de tamanha dor.

Diante de uma situação tão grotesta, Ana Carolina permaneceu sóbria e deu ao mundo uma lição de lucidez, ao qual considero exemplar, conforme escrevi recentemente em meu texto “O que aprendi com a mãe da Isabella Nardoni“.

Mas passados todos esses anos, a vida continua, as pessoas “esquecem” e a dor fica só para ela, guardada num cantinho do seu coração.

 

O desejo de maternidade

Casada novamente há dois anos, mais uma vez, Ana Carolina Oliveira mostra-se iluminada. Desta vez, grávida de 8 meses, pronta para ser mãe novamente, mesmo diante de todos os riscos e medos, ela traz ao mundo mais uma pitada de humanidade e de delicadeza.

mãe de isabella nardoni grávida

Em entrevista à Revista Veja, Ana Carolina confessa que parou de tomar remédio no ano passado e que seu marido acompanhava atentamente a ovulação dela, para saber seu período fértil.

Quando percebeu os primeiros sinais de gravidez, Ana Carolina comprou um teste de farmácia no Shopping Eldorado e fez o exame lá mesmo. Sem avisar ou dar pistas ao marido.

Com o resultado positivo, a vontade era de berrar pela tamanha felicidade, mas ela se segurou.

“Se eu estava triste, me chamavam de coitada. Se sorria, era julgada por ter superado o luto.”, diz Ana Carolina. E esta frase fala muito sobre o texto onde escrevi sobre “Viuvez: a dor da perda recheada de egoísmo alheio“. Vale igual para qualquer luto onde as pessoas acham que podem nos dizer como sentir, pensar, agir, estar.

 

Lição de vida

Ao ser questionada, Ana Carolina Oliveira diz que perdoar não é com ela, é com Deus. Religiosa, ela teve o alento e o amparo em sua fé, somados ao apoio da família e amigos, além dos populares, para superar a fase latente da dor.

Ela fala de como Isabella estaria feliz hoje, caso soubesse da notícia de um irmãozinho e também conta que pretende ter outro filho, ainda.

Ana Carolina também fala que para ela um filho não substitui outro e que são filhos diferentes, portanto não se faz necessário esquecer ou anular a memória de Isabella.

Com isso, ela nos mostra que encarar a vida de frente não nos obrigada a apagar o passado, nem fingir que jamais existiu. Também não precisamos carregá-lo nas costas, como um fardo, mas aprender a conviver com ele, respeitando seus momentos de lembrança e ternura, como também de dor.

E, acima de tudo, ela reforça minha ideia de que, sim, ninguém tem nada a ver com como lidamos com nossas perdas, pois cada um o faz ao seu modo.