Comparar crianças causa danos psicológicos • Mãe de Adolescente

Comparar crianças causa danos psicológicos, muitas vezes irreparáveis

Comparar crianças causa danos psicológicos que podem perdurar até a fase adulta e afetar uma vida toda.

Antes dos psicólogos afirmarem isto, eu já sabia por experiência própria

A minha infância foi muito boa, não vou negar.

Mas isto não muda o fato de que vivo até hoje atormentada pela insegurança, por conta de comparações com outras crianças.

Por exemplo, quando me lembro de como as minhas avós (ambas) não faziam a menor questão de esconder a preferência delas por outras netas que não eu e como isto me afetava, ainda dói.

Me lembro como eu me esforçava para agradá-las, tentando ser o mais parecido possível com tudo o que elas narravam como sendo bom e, mesmo assim, ainda era invisível aos olhos delas.

Quer dizer, era pior do que invisível, especialmente com a minha avó paterna, porque ela não apenas não notava minhas qualidades e esforços, como fazia questão de viver me comparando com as primas que ela considerava preferidas e sempre ressaltando o que, para ela, eram defeitos meus.

Eu nunca quis ter outro filho para não cometer o erro que vi os adultos cometerem comigo

Qualquer pessoa que já tenha conversado comigo sobre eu ter mais filhos, sabe que eu nunca quis outro por puro medo de cometer os erros que os adultos cometeram comigo.

E o principal deles é o de comparar filhos, netos, sobrinhos.

Tudo isso, porque vivi na pele este tipo de situação e posso dizer: é uma das piores coisas que um adulto possa fazer.

No entanto, a maioria absoluta faz!

E é sempre o mesmo modus operandi: geralmente, aquele que mais se esforça para ser notado, para chegar mais próximo do que acredita que aquele adulto considera bom, é o que fica para trás.

Eu não sei bem explicar o motivo disto, mas me mata ver este tipo de atitude sendo perpetuada entre mães e filhos, avós e netas, tias e sobrinhas.

E o meu maior medo é ser mais uma a perpetuar esta atitude. Especialmente, desprestigiando aquela que mais se esforça a estar sempre presente, em demonstrar cuidado e afeto, por exemplo.

A criança preferida não percebe, mas a criança desprestigiada será assombrada para sempre com as suas críticas

Uma das coisas que vemos muito, é adultos criticando uns em detrimento de outros.

“Ah, mas fulano fez tal coisa. Você não faz nem tal”.

Não sei onde algum adulto quer chegar com isto, mas é certo que a única coisa que ele conseguirá, é desmotivar de vez aquela criança.

Talvez, se a abordagem fosse diferente, ressaltando as qualidades de cada um PARA CADA UM e não para o outro e nem criticando um e elogiando o outro, especialmente para terceiros, os resultados fossem melhores.

Mas esta ideia de criticar o jovem para terceiros enquanto ele ouve e, pior, elogiando o primo, o irmão, o amigo? Não tem outro resultado, senão o de piorar tudo.

Aprendi a valorizar mais as atitudes positivas do que as negativas

Minha filha apronta muitas, a exemplo de quando ela mesma escreveu um texto sobre o dia em que mentiu para ir a uma festa.

No entanto, ela tem inúmeras qualidades.

Por exemplo, eu não conheço nenhuma adolescente mais generosa e preocupada em estar próxima dos avós do que ela. Geralmente adolescentes nem ligam para os avós.

Também não conheço alguém mais ponderada e tranquila do que ela. Ela nunca se exalta.

Ela tem defeitos? Claro que tem! Mas as qualidades dela são muito maiores que qualquer um deles.

Afinal, são qualidade que a fazem um ser humano acima da média, melhor do que a maioria. Não são meras qualidades tolas.

Então é meu dever ressaltar as qualidades, para que quando ela PRECISAR de uma crítica, não ache que só tem defeitos.

Mas que veja que APESAR DE SUAS QUALIDADES, ali está um ponto onde ela precisa melhorar.

Não é frescura cuidar da saúde psicológica das crianças

Claro que haverão muitos que dirão que é frescura. Por estes, lamentamos a ignorância.

Afinal, ignorar questões psicológicas na formação do indivíduo, nada mais é do que ignorância.

Cuidar para que as crianças tenham o mínimo de questões mal-resolvidas possível, não é frescura. É amor!

E quanto à minha filha, no que depender de mim, ela não sofrerá dos mesmos traumas que eu.

Me tornei mãe aos 24 anos, um ano após ter perdido a minha mãe. Tudo ia bem, quando aos 29, fiquei viúva de forma trágica e me vi como mãe solo. Aos 33, conheci o meu atual marido e aos 35, minha filha (com 10 anos na época) sofreu um acidente num pula-pula que a deixou 7 meses em uma cadeira de rodas e com grandes chances de sequela. Após dois anos do acidente, resolvi criar o blog e aqui estamos, vivendo juntas a emoção da maternidade durante a fase da adolescência. Mas não só isto!

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