Minha filha não me conta nada • Mãe de Adolescente

É incrível a quantidade de mães que sofre com o dilema “Minha filha não me conta nada”.

Eu mesma, demorei para aceitar que a minha filha não me conta nada, por mais que ela me conte muita coisa.

A minha geração de mães é filha, geralmente, de mães um pouco mais libertárias que as nossas mãe e avós, mas ainda assim, cheias de tabus.

Claro que sei que é complicado, porque estamos sempre transitando no terreno entre proteger e deixar ser, como falei no texto sobre o episódio Arkangel, de Black Mirror.

E, de certa forma, nos sentimos traídas por imaginar que a nossa filha não nos conte tudo, pois nos sentimos abertas e capazes de lidar com o que elas tem para contar.

Lembra quando você era a filha adolescente?

Mais uma vez, eu apelo para que você volte aos seus tempos de adolescente.

Se você tinha uma mãe severa demais e você hoje é uma mãe bem mais libertária, talvez seja mesmo complicado entender.

Por outro lado, para quem tinha uma mãe já mais tranquila, mas lembra do constrangimento de contar certas coisas mesmo assim, fique mais fácil.

Eu mesma sou uma mãe “liberal” e sei que, mesmo assim, a Gi não me conta tudo.

Mesmo eu sempre procurando deixar claro para ela que vou fazer o máximo esforço para entender seja lá o que for, eu receio que nem tudo ela me conte.

E agora, como você é como mãe?

Um outro fator a se pensar, é: como somos enquanto mães?

Será que não acabamos inibindo ou mesmo constrangendo nossas filhas a nos contarem algo?

Será que, pela forma como reagimos em outras vezes, elas acabaram se retraindo?

Cabe a nós pensarmos bem em como reagimos quando elas tentam se abrir, claro!

Muitas coisas elas não contam porque imaginam que vamos reagir de forma ruim ou não vamos entendê-las.

Deixe-a dizer porque ela não tem coragem de te contar as coisas

Uma coisa que nos ajudou muito por aqui, foi nos abrirmos.

Eu a permiti falar de forma clara os motivos que a faziam sentir-se constrangida comigo.

E, claro, me comprometi e me esforcei para mudar tais atitudes.

E até que deu certo.

Não vou dizer que ela me conte tudo, porque isto nunca vai acontecer, acho. Mas já melhorou muito a nossa relação e interação e percebo que ela mesma procura contar as coisas, antes que eu questione.

Tente julgar menos

As escolhas das nossas filhas não dependem de nós.

Por mais que queiramos crer que sim, por mais que tentamos fazer que sim, não dependem.

Se elas resolvem fazer algo, elas vão fazer, com ou sem o nosso consentimento.

Pensando nisto, é bom revermos nossos julgamentos e tentarmos nos colocar de forma amigável.

Só assim teremos algum poder de influência sobre elas.

Caso contrário, seremos a voz que elas ouvem atravessado, dizem amém na nossa frente e, por trás, fazem o que bem entendem.

Empoderar é confiar

Não tem jeito de dar autonomia sem propriamente dar autonomia.

Assim sendo, a gente tem que achar um modo de confiar nelas e na educação que demos a ela.

Contudo, também achar um jeito de interagir com elas, sempre que cometem erros, sem que sejamos as algozes.

É uma situação delicada, difícil e dolorosa, mas que talvez seja o único meio de ter algum contato real com elas nesta fase que todas nós também passamos e sabemos que é complicada.

Mas claro que temos que pesar, afinal nem sempre elas merecem toda a nossa confiança cega, então é importante observar e ir dosando, mas sempre aberta a ouvir e respeitar.

O que ela já fez, já está feito!

Uma outra coisa que acho importante deixar claro, é que o que ela já fez, está feito e não poderá voltar no tempo.

Então quando ela contar algo, por mais que você seja contra, respire fundo e tente expor o que pensa e sente de maneira moderada.

Tente mostrar equilíbrio e ponderação para que ela não entenda apenas como mera bronca e, das próximas vezes, nem conte mais nada.

Me tornei mãe aos 24 anos, um ano após ter perdido a minha mãe. Tudo ia bem, quando aos 29, fiquei viúva de forma trágica e me vi como mãe solo. Aos 33, conheci o meu atual marido e aos 35, minha filha (com 10 anos na época) sofreu um acidente num pula-pula que a deixou 7 meses em uma cadeira de rodas e com grandes chances de sequela. Após dois anos do acidente, resolvi criar o blog e aqui estamos, vivendo juntas a emoção da maternidade durante a fase da adolescência. Mas não só isto!

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